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Irã ataca bases dos EUA no Oriente Médio e ameaça adotar "nova estratégia"

Published on septembre 2, 2026 at 21:24

Manifestação a favor do Irã em Bagdá (Iraque), em 19 de agosto de 2026 — AHMAD AL-RUBAYE / AFP
Manifestação a favor do Irã em Bagdá (Iraque), em 19 de agosto de 2026 — AHMAD AL-RUBAYE / AFP

O Irã ameaçou nesta quarta-feira (2) adotar uma "nova estratégia" e multiplicou as represálias no Golfo e além dele, em resposta aos bombardeios americanos e à morte de quatro pessoas em um casamento, na maior escalada do conflito em semanas.

Os meios de comunicação estatais iranianos informaram um saldo de pelo menos 11 mortos nos bombardeios americanos: quatro durante um casamento no distrito de Sirik (sudeste), onde cerca de 70 pessoas ficaram feridas, e sete na região de Khuzistão (oeste).

A Guarda Revolucionária também anunciou quatro mortos em suas fileiras e outros tantos no braço paramilitar dos Basijis.

Em represália, a Guarda Revolucionária informou sobre ataques contra bases americanas na Jordânia, nos Emirados Árabes Unidos, no Kuwait, no Bahrein e na região autônoma iraquiana do Curdistão.

Teerã também advertiu que adotará uma "nova estratégia".

"Em breve vocês verão que a nova estratégia do Irã no campo de batalha, na diplomacia e no enfrentamento do bloqueio econômico fará seus alicerces em pedaços", publicou no X o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezai.

O presidente americano, Donald Trump, havia advertido sobre ataques "muito mais duros" caso o Irã respondesse à ofensiva americana.

Pouco depois do ataque ao casamento, circularam pela internet vídeos em que se viam escombros e se ouviam gritos de pessoas.

"Vocês, malvados, atacaram as casas das pessoas e transformaram um casamento em um funeral", afirma um homem em um vídeo divulgado pela agência de notícias Fars.

Em outras imagens, um jornalista da televisão estatal mostra um pedaço de metal carbonizado que, segundo ele, seria um fragmento do "míssil americano (...) que transformou uma festa de casamento em uma tragédia".

O principal negociador iraniano e presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, chamou os Estados Unidos de "Satanás".

"Se uma potência age como Satanás, escolhe alvos como Satanás e mata como Satanás, é Satanás", afirmou Ghalibaf em uma publicação na rede social X, retomando o termo usado contra Washington desde a Revolução Islâmica de 1979.

O porta-voz do Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), Tim Hawkins, afirmou que "as Forças Armadas americanas nunca atacam civis, ao contrário da Guarda Revolucionária" iraniana.

Desde o início do conflito, o Irã tem usado seu controle sobre o estreito de Ormuz como instrumento de pressão, onde a atividade comercial, salvo em ocasiões pontuais, tem permanecido em níveis mínimos. Por essa via marítima, antes da guerra, transitavam 20% das exportações mundiais de petróleo e gás natural liquefeito.

O presidente americano propôs nesta quarta-feira mudar seu nome para "estreito de Trump".

"Agora que já o temos sob controle dos Estados Unidos, poderíamos mudar o nome do estreito de Ormuz para ESTREITO DE TRUMP??? Assim como os próprios Estados Unidos, será mais 'sexy' do que nunca", escreveu o presidente em sua conta na Truth Social, usando letras maiúsculas.

Segundo a Guarda Revolucionária, dois petroleiros pegaram fogo após colidirem com minas no Golfo, ao navegarem fora da rota designada pelas autoridades iranianas.

A mais recente rodada de combates começou no domingo, quando Washington atacou alvos iranianos.

As forças de Teerã responderam com ataques contra tropas americanas na Jordânia e nos Emirados Árabes Unidos, enquanto dois petroleiros foram atingidos por projéteis em ações que não foram reivindicadas.

Trump afirmou que os ataques de domingo foram realizados "em represália pela tentativa fracassada dos iranianos de instalar minas marítimas no estreito".

Segundo a televisão iraniana, a ofensiva americana desta terça-feira provocou explosões no sul do país, ao longo do estreito de Ormuz, e em uma ilha no Golfo. A emissora também informou sobre outro ataque contra um aeroporto na província de Kerman, no sul.

Segundo a Guarda Revolucionária, as represálias incluíram "um ataque coordenado com mísseis e drones contra bases americanas em Erbil", no Curdistão iraquiano, que destruiu um centro de manutenção, depósitos e o "sistema de orientação de um aerostato de vigilância americano", de acordo com um comunicado divulgado pela agência estatal Irna.

A Guarda Revolucionária também anunciou um ataque com mísseis balísticos contra um campo de treinamento dos fuzileiros navais americanos na Jordânia, no golfo de Aqaba, perto das fronteiras com Israel e a Arábia Saudita, segundo a agência iraniana Tasnim.

A guerra no Oriente Médio começou no fim de fevereiro com a ofensiva americana e israelense contra o Irã, que matou no primeiro dia o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei. Os Estados Unidos também mantêm um bloqueio naval aos portos iranianos.

O frágil cessar-fogo firmado em abril entre Estados Unidos e Irã ruiu após ataques contra navios comerciais no estreito de Ormuz.

Apesar do impasse diplomático, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, se comprometeu a responder a qualquer iniciativa americana para retomar as negociações sobre um acordo destinado a pôr fim à guerra.

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