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Principais emissoras de TV dos EUA suspendem cobertura conjunta de Trump em apoio à CNN

Published on septembre 21, 2026 at 22:45

Um letreiro da emissora de televisão CNN, fotografado na sala de imprensa James Brady da Casa Branca, em Washington, em 19 de setembro de 2026 — Oliver Contreras / AFP
Um letreiro da emissora de televisão CNN, fotografado na sala de imprensa James Brady da Casa Branca, em Washington, em 19 de setembro de 2026 — Oliver Contreras / AFP

As principais redes de televisão dos Estados Unidos anunciaram, nesta segunda-feira (21), a suspensão da cobertura conjunta das atividades do presidente Donald Trump em apoio à CNN, que, junto com os veículos MS NOW e Politico, foi vetada pela Casa Branca.

A CNN, MS Now e o Politico, por sua vez, apresentaram uma ação judicial contra o governo Trump, que acusam de querer cercear a liberdade de imprensa.

Trump anunciou na sexta-feira que proibiria o acesso destes três veículos à Casa Branca como punição por divulgar o que ele considera "notícias falsas".

Em reação, as emissoras CBS, ABC, NBC e Fox anunciaram que deixarão de se revezar na cobertura das atividades públicas de Trump, como faziam junto com a CNN.

Esse sistema de filmagem compartilhada é conhecido em inglês como "pool". O veículo escalado registra as imagens e depois compartilha o material com os demais meios de comunicação.

A cobertura televisiva da agenda presidencial é uma das principais tarefas jornalísticas em Washington, e sua ausência impacta tanto a mídia quanto a própria Casa Branca.

Ex-estrela da televisão, Trump é um crítico feroz da imprensa, a quem acusa de apresentar uma imagem negativa de seu mandato. Mas o presidente reconhece que vive grudado nas telas.

Trump recebe com frequência esse "pool" de veículos de imprensa no Salão Oval, onde aceita perguntas de todo tipo e aproveita para criticar ou até mesmo zombar dos jornalistas presentes, muitas vezes ao vivo.

Os três veículos afetados anunciaram que recorreram à Justiça para "defender o princípio de que o governo não decide o que a imprensa noticia ou publica".

O veto presidencial não cumpre "os requisitos mínimos do devido processo legal: notificação prévia baseada em critérios claros e oportunidade de ser ouvido", afirma a ação, consultada pela AFP.

"O presidente não esconde que sua proibição pune o exercício de um direito à liberdade de expressão que é protegido, ao declarar expressamente que decidiu vetar CNN, MS NOW e Politico devido à cobertura 'acumulada' dos últimos dois anos", acrescenta a ação apresentada em Washington.

Os veículos pediram uma decisão judicial de urgência que suspenda o veto presidencial. O juiz responsável pelo caso convocou as partes para uma audiência na quarta-feira.

Em uma mensagem publicada nesta segunda-feira em sua rede Truth Social, Trump reiterou as acusações e afirmou que promove uma ofensiva contra as "NOTÍCIAS FALSAS, algo que cresceu como um câncer" nos Estados Unidos.

"Isso é uma ameaça à nossa segurança nacional e deve ser detido, AGORA!", acrescentou.

Em uma mensagem posterior, Trump pareceu admitir a possibilidade de sofrer uma derrota na Justiça. "Quase sem dúvida e, como de costume, vamos recorrer", explicou.

A liberdade de imprensa é garantida nos Estados Unidos pela Primeira Emenda da Constituição.

"A Casa Branca não está realizando um ataque contra a imprensa livre, algo que valorizo profundamente", assegurou Trump.

"Os meios de comunicação não deveriam poder escrever ou divulgar constantemente FICÇÃO e MENTIRAS quando cobrem o presidente dos Estados Unidos", disse.

Há anos, Trump acusa veículos como a CNN de terem ajudado a difundir as alegações de que mantinha um conluio com a Rússia durante seu primeiro mandato como presidente.

O presidente também demonstrou irritação com o uso de fontes militares anônimas pelos meios de comunicação para explicar as dificuldades dos Estados Unidos em sua guerra com o Irã.

Durante seu primeiro mandato (2017-2021), Trump proibiu o acesso do jornalista Jim Acosta, da CNN, mas a Justiça obrigou a Casa Branca a restituir sua credencial poucos dias depois.

O republicano também vetou a Associated Press, mas a Justiça posteriormente revogou a medida.

O juiz que restituiu a credencial ao jornalista Jim Acosta é o mesmo que assumiu agora o caso de CNN, MS NOW e Politico. "O juiz se chama Tim Kelly e, infelizmente, foi nomeado por 'TRUMP'", reconheceu o presidente em sua mensagem no Truth Social.

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