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Trump veta acesso dos veículos CNN, MSNOW e Politico à Casa Branca

Published on septembre 19, 2026 at 02:16

Cabine de transmissão da CNN na área de imprensa da Casa Branca, em Washington, D.C., em 18 de setembro de 2026 — SAUL LOEB / AFP
Cabine de transmissão da CNN na área de imprensa da Casa Branca, em Washington, D.C., em 18 de setembro de 2026 — SAUL LOEB / AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (18) que vetou o acesso à Casa Branca das emissoras CNN e MSNOW e do site de notícias Politico, semanas antes das eleições legislativas.

Diante de uma forte queda em seu índice de aprovação, Trump explicou que tomou a decisão contra os três veículos "como resultado de suas constantes notícias falsas".

"Os veículos de mídia não deveriam poder escrever ou reportar constantemente FICÇÃO e MENTIRAS quando estão cobrindo o presidente dos Estados Unidos, o governo Trump ou os Estados Unidos da América", acusou o presidente. "Outros Veículos de Notícias Falsas serão incluídos" na proibição, advertiu.

A CNN afirmou que sua cobertura é "justa e precisa" e está protegida pela Constituição dos Estados Unidos. A emissora ressaltou que uma proibição "seria um ataque ilegal contra esse direito fundamental".

Já o Político respondeu que "continuará informando de maneira justa" sobre este e os próximos governos americanos. "Defenderemos vigorosamente nossos direitos."

Após o anúncio na plataforma Truth Social, Trump voltou a receber jornalistas no Salão Oval, para um evento sobre os preços dos medicamentos, e atacou novamente a grande maioria dos presentes, que chamou de "desonestos". "Acho que alguém tem o direito de mantê-los afastados se escrevem histórias falsas o tempo todo", declarou.

Trump fez do confronto constante com a imprensa uma das marcas de sua carreira política. Ameaças e insultos a jornalistas têm sido frequentes ao longo de seus dois mandatos.

Aos 80 anos, o presidente entrará em janeiro na segunda metade de seu mandato de quatro anos em meio a uma guerra com o Irã que tem pouco apoio da população, mais preocupada com a economia e a inflação. Sua base política republicana, no entanto, permanece fiel a seu estilo agressivo.

Há anos, Trump acusa veículos como a CNN de terem ajudado a disseminar as acusações de que teria conspirado com a Rússia durante seu primeiro mandato como presidente.

Durante esse mandato, retirou a credencial do jornalista Jim Acosta, da emissora, mas posteriormente a Justiça obrigou a Casa Branca a restabelecer seu acesso. Acosta acabou deixando a CNN, assim como outros jornalistas do canal.

Trump também se irritou particularmente com a cobertura jornalística e a divulgação de fotos e documentos que o relacionavam ao magnata condenado por crimes sexuais Jeffrey Epstein.

Embora o presidente classifique esses veículos como "fake news", isso não o impede de atender regularmente a telefonemas diretos de jornalistas, ainda que de forma breve.

Ao retornar à Casa Branca, sua equipe de comunicação anunciou que abriria a sala de imprensa a veículos alternativos conservadores e a influenciadores sem experiência em cobertura política.

No ano passado, Trump vetou a Associated Press em alguns eventos devido à decisão da agência de notícias americana de continuar se referindo ao "Golfo do México", e não ao "Golfo da América", como havia determinado o presidente.

O republicano processou jornais como o New York Times e o Wall Street Journal, pedindo indenizações bilionárias.

A proibição anunciada nesta sexta-feira, caso seja efetivada, "seria simplesmente inconstitucional" e seria derrubada pela Justiça, avaliou Bruce Brown, presidente do Comitê de Repórteres pela Liberdade de Imprensa.

A liberdade de imprensa é garantida nos Estados Unidos pela Primeira Emenda da Constituição.

A Associação de Correspondentes da Casa Branca — a entidade independente que representa os jornalistas que cobrem a Presidência — afirmou que “segue na defesa” dos jornalistas “que estão sendo atacados por fazer seu trabalho”.

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