Alexandre de Moraes e André Mendonça, os ministros em guerra no STF
O Supremo Tribunal Federal (STF) vive um confronto inédito às vésperas das eleições presidenciais, protagonizado pelos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça.
Deflagrada pela investigação do Banco Master por uma grande fraude financeira, a crise repercute na disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Quem são os dois ministros que se enfrentarão nesta terça-feira (15) em uma sessão transmitida pela TV Justiça? De um lado está Moraes, visto pela direita como o principal adversário do bolsonarismo. Do outro, Mendonça, indicado ao STF por Bolsonaro.
O embate começou quando Mendonça determinou a divulgação de um relatório policial que revelava mensagens enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro, preso preventivamente, a um número atribuído a Moraes, em que pedia ajuda durante a investigação.
Em resposta, Moraes apresentou uma denúncia contra Mendonça por suposto abuso de autoridade.
Os 10 ministros que compõem o tribunal, incluindo os dois envolvidos, vestirão suas togas nesta terça em uma sessão na qual poderão decidir pela abertura de uma investigação sobre Moraes por seus vínculos com Vorcaro.
De olhar severo e cabeça raspada, Moraes, de 57 anos, esteve à frente dos casos de maior repercussão no STF nos últimos anos.
Em 2024, determinou o bloqueio da rede social X por 40 dias por descumprimento de decisões judiciais relacionadas ao combate à desinformação. No ano passado, foi o relator do julgamento que condenou Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
Como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), tornou Bolsonaro inelegível em 2023 por abuso de poder político.
Entre as ofensas dirigidas ao magistrado, Jair Bolsonaro já o chamou de “canalha” e “ditador”.
Indicado ao STF em 2017 pelo ex-presidente Michel Temer, de quem foi ministro da Justiça, Moraes enfrentou resistência inicial de setores da esquerda.
Posteriormente, passou a receber elogios de Lula por sua atuação contra a desinformação durante a campanha presidencial de 2022.
Também acumulou inimigos de peso. O governo dos Estados Unidos, sob Donald Trump, chegou a sancioná-lo devido ao julgamento de Bolsonaro, aliado do republicano.
Quando Washington revogou a punição, Moraes agradeceu publicamente a Lula pelo esforço diplomático.
Ainda assim, diante do chamado Caso Master, o presidente advertiu: “Se Alexandre de Moraes é culpado, tem que pagar”.
Mendonça, de 53 anos, é pastor presbiteriano e foi ministro da Justiça no governo Bolsonaro (2019-2022).
O ex-presidente o indicou ao STF em 2021 para cumprir sua promessa de nomear um ministro “terrivelmente evangélico”.
O magistrado foi submetido a uma das sabatinas mais longas da história do Senado e, para obter aprovação, comprometeu-se a respeitar a separação entre Igreja e Estado.
Ele celebrou sua chegada ao STF com uma oração, emocionado ao lado da família e da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, também evangélica.
Em meio à atual crise, Michelle saiu em sua defesa. “Saiba que você é um ESCOLHIDO e UNGIDO DO SENHOR!”, publicou a atual candidata ao Senado no Instagram.
No último 7 de setembro, Dia da Independência do Brasil, a imagem de Mendonça foi celebrada pela direita, que levou um enorme boneco inflável do ministro a uma manifestação de apoiadores de Flávio Bolsonaro em São Paulo.
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