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Rebeldes houthis do Iêmen tomam estratégico Estreito de Bab el-Mandeb

Published on September 11, 2026 at 22:24

Vários homens navegam em um bote perto de um cargueiro fundeado na costa do Iêmen perto do Estreito de Bab al-Mandeb, no Golfo de Aden, em 6 de agosto de 2026 — - / AFP
Mapa do Iêmen e do Estreito de Bab el-Mandeb localizando a ilha de Perim, o porto de Moca, Áden e a cidade saudita de Abha. — Paz PIZARRO, Sylvie HUSSON, Sabrina BLANCHARD / AFP
Vários homens navegam em um bote perto de um cargueiro fundeado na costa do Iêmen perto do Estreito de Bab al-Mandeb, no Golfo de Aden, em 6 de agosto de 2026 — - / AFP

Os rebeldes houthis tomaram toda a costa iemenita do Mar Vermelho nesta sexta-feira (11), embora tenham prometido uma navegação "segura" no estratégico Estreito de Bab el-Mandeb, exceto para a Arábia Saudita, sua inimiga.

É provável que os impactos da guerra no Oriente Médio se intensifiquem no comércio internacional, depois que a Arábia Saudita anunciou o fechamento de um oleoduto após vários ataques e depois de meses de bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã.

Desde a semana passada, o grupo rebelde pró-iraniano que controla vastas partes do Iêmen lançou uma ofensiva para controlar essa via marítima crucial, que liga a Ásia à Europa.

E em questão de alguns dias, conseguiram chegar ao Mar Vermelho.

"Tudo o que estava sob nosso controle na costa ocidental caiu", informou à AFP um encarregado militar do governo iemenita, reconhecido internacionalmente e apoiado por Riade.

A Arábia Saudita, maior exportador mundial de petróleo, está encurralada, com o Estreito de Bab el-Mandeb sob controle dos houthis e o de Ormuz, no outro extremo da península, bloqueado pelo Irã desde o início da guerra no Oriente Médio, no fim de fevereiro.

Petroleiros e navios mercantes procedentes da Ásia usam Bab el-Mandeb para chegar ao Mar Vermelho e depois ao Canal de Suez e ao Mediterrâneo, e no sentido inverso pelo oceano Índico.

Em caso de bloqueio, a única alternativa, muito mais cara, consiste em circundar a África pelo cabo da Boa Esperança.

Os preços do petróleo sentiram o impacto e o barril de Brent, referência internacional, voltou a ser cotado acima dos 100 dólares nesta sexta-feira.

Os houthis aceleraram sua ofensiva nos últimos dias em torno de Bab el-Mandeb, e na quinta-feira tomaram a cidade portuária de Moca, 70 km ao norte do estreito.

Em nota, Tarek Saleh, comandante das forças que controlam Moca, qualificou a ofensiva houthi de "planejada e apoiada pelo Irã".

Um assessor do líder supremo iraniano Mojtaba Khamenei qualificou o avanço dos houhtis como uma "vitória contundente".

Após sair de Moca no meio da noite, Mohamed, de 46 anos, descreveu à AFP um ambiente "apocalíptico".

Nesta sexta, os houthis conquistaram a ilha de Perim (também conhecida como ilha de Mayyun), situada no centro do estreito, e as ilhas Hanish Maior e Hanish Menor, segundo fontes do governo iemenita.

Uma testemunha disse ter visto homens armados se deslocando "ao longo da costa de Bab el-Mandeb a bordo de veículos militares".

Autoridades sauditas anunciaram o fechamento do oleoduto Leste-Oeste nas regiões de Riade e Medina, após um ataque que deixou vários feridos, informou um funcionário do Ministério da Energia à imprensa estatal nesta sexta-feira.

O Estreito de Bab el-Mandeb ganhou ainda mais importância desde o início da guerra no Oriente Médio, com os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e as represálias iranianas contra as monarquias petroleiras do Golfo.

Teerã tem usado como ferramenta de pressão a paralisação na prática da navegação pelo Estreito de Ormuz, do outro lado da Península Arábica e uma das principais vias mundiais para o trânsito de hidrocarbonetos.

Diante das graves perturbações nesta via e para evitar o bloqueio iraniano em Ormuz, a Arábia Saudita optou por aumentar suas exportações de petróleo a partir do porto de Yanbu, no Mar Vermelho.

Segundo o site de notícias americano Axios, o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, pediu ao presidente americano, Donald Trump, que ordenasse ataques contra os houthis para contê-los.

Trump negou este pedido, feito duas vezes na quinta-feira, segundo o Axios, que citou altos funcionários americanos.

Um deles explicou ao Axios que o governo Trump continuaria fornecendo a Riade informação de inteligência, mas não considera uma intervenção militar direta.

Os houthis também lançaram esta semana uma ampla ofensiva contra a Arábia Saudita, inclusive com o disparo, na quarta-feira, de vários mísseis balísticos e drones contra cidades do sul do reino.

Uma imagem do programa europeu Copernicus mostrava, nesta sexta, uma espessa coluna de fumaça preta subindo sobre o deserto na região atacada.

A situação no Iêmen foi tema de uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU na quinta-feira.

O enviado especial das Nações Unidas para o país, Hans Grundberg, pediu uma "implicação ativa" desse órgão para "se distanciar do que poderia ser o precipício rumo a um conflito muito mais perigoso".

Segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), pelo menos 46.000 pessoas foram deslocadas desde a retomada da intensificação dos combates no sudoeste do país.

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