Rebeldes houthis do Iêmen tomam estratégico Estreito de Bab el-Mandeb
Os rebeldes houthis tomaram toda a costa iemenita do Mar Vermelho nesta sexta-feira (11), embora tenham prometido uma navegação "segura" no estratégico Estreito de Bab el-Mandeb, exceto para a Arábia Saudita, sua inimiga.
É provável que os impactos da guerra no Oriente Médio se intensifiquem no comércio internacional, depois que a Arábia Saudita anunciou o fechamento de um oleoduto após vários ataques e depois de meses de bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã.
Desde a semana passada, o grupo rebelde pró-iraniano que controla vastas partes do Iêmen lançou uma ofensiva para controlar essa via marítima crucial, que liga a Ásia à Europa.
E em questão de alguns dias, conseguiram chegar ao Mar Vermelho.
"Tudo o que estava sob nosso controle na costa ocidental caiu", informou à AFP um encarregado militar do governo iemenita, reconhecido internacionalmente e apoiado por Riade.
A Arábia Saudita, maior exportador mundial de petróleo, está encurralada, com o Estreito de Bab el-Mandeb sob controle dos houthis e o de Ormuz, no outro extremo da península, bloqueado pelo Irã desde o início da guerra no Oriente Médio, no fim de fevereiro.
Petroleiros e navios mercantes procedentes da Ásia usam Bab el-Mandeb para chegar ao Mar Vermelho e depois ao Canal de Suez e ao Mediterrâneo, e no sentido inverso pelo oceano Índico.
Em caso de bloqueio, a única alternativa, muito mais cara, consiste em circundar a África pelo cabo da Boa Esperança.
Os preços do petróleo sentiram o impacto e o barril de Brent, referência internacional, voltou a ser cotado acima dos 100 dólares nesta sexta-feira.
Os houthis aceleraram sua ofensiva nos últimos dias em torno de Bab el-Mandeb, e na quinta-feira tomaram a cidade portuária de Moca, 70 km ao norte do estreito.
Em nota, Tarek Saleh, comandante das forças que controlam Moca, qualificou a ofensiva houthi de "planejada e apoiada pelo Irã".
Um assessor do líder supremo iraniano Mojtaba Khamenei qualificou o avanço dos houhtis como uma "vitória contundente".
Após sair de Moca no meio da noite, Mohamed, de 46 anos, descreveu à AFP um ambiente "apocalíptico".
Nesta sexta, os houthis conquistaram a ilha de Perim (também conhecida como ilha de Mayyun), situada no centro do estreito, e as ilhas Hanish Maior e Hanish Menor, segundo fontes do governo iemenita.
Uma testemunha disse ter visto homens armados se deslocando "ao longo da costa de Bab el-Mandeb a bordo de veículos militares".
Autoridades sauditas anunciaram o fechamento do oleoduto Leste-Oeste nas regiões de Riade e Medina, após um ataque que deixou vários feridos, informou um funcionário do Ministério da Energia à imprensa estatal nesta sexta-feira.
O Estreito de Bab el-Mandeb ganhou ainda mais importância desde o início da guerra no Oriente Médio, com os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e as represálias iranianas contra as monarquias petroleiras do Golfo.
Teerã tem usado como ferramenta de pressão a paralisação na prática da navegação pelo Estreito de Ormuz, do outro lado da Península Arábica e uma das principais vias mundiais para o trânsito de hidrocarbonetos.
Diante das graves perturbações nesta via e para evitar o bloqueio iraniano em Ormuz, a Arábia Saudita optou por aumentar suas exportações de petróleo a partir do porto de Yanbu, no Mar Vermelho.
Segundo o site de notícias americano Axios, o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, pediu ao presidente americano, Donald Trump, que ordenasse ataques contra os houthis para contê-los.
Trump negou este pedido, feito duas vezes na quinta-feira, segundo o Axios, que citou altos funcionários americanos.
Um deles explicou ao Axios que o governo Trump continuaria fornecendo a Riade informação de inteligência, mas não considera uma intervenção militar direta.
Os houthis também lançaram esta semana uma ampla ofensiva contra a Arábia Saudita, inclusive com o disparo, na quarta-feira, de vários mísseis balísticos e drones contra cidades do sul do reino.
Uma imagem do programa europeu Copernicus mostrava, nesta sexta, uma espessa coluna de fumaça preta subindo sobre o deserto na região atacada.
A situação no Iêmen foi tema de uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU na quinta-feira.
O enviado especial das Nações Unidas para o país, Hans Grundberg, pediu uma "implicação ativa" desse órgão para "se distanciar do que poderia ser o precipício rumo a um conflito muito mais perigoso".
Segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), pelo menos 46.000 pessoas foram deslocadas desde a retomada da intensificação dos combates no sudoeste do país.
Latest stories
La Une الحوثيون يستكملون سيطرتهم على منطقة باب المندب والساحل الغربي لليمن
استكمل المقاتلون الحوثيون الجمعة سيطرتهم على منطقة باب المندب والساحل الغربي لليمن المطل على البحر الأحمر، في خطوة تثير القلق على مصير الحركة البحرية قرب هذا الممر...
La Une الولايات المتحدة تحيي ذكرى هجمات 11 أيلول/سبتمبر بعد مضي ربع قرن
بعد خمسة وعشرين عاما على اعتداءات 11 أيلول/سبتمبر، كرمت الولايات المتحدة الجمعة ذكرى ضحايا الهجمات، وسط جدل حول غياب الرئيس الأميركي دونالد ترامب عن مراسم نيويورك وانتقادات في بعض أوساط اليمين لحضور زهران ممداني،...
رياضة النيابة تطلب السجن حتى 10 سنوات في قضية السطو العنيف على منزل دوناروما
طلبت النيابة العامة الجمعة أمام محكمة باريس الجنائية بأحكام بالسجن النافذ تتراوح بين أربع وعشر سنوات مع الإبقاء على المتهمين قيد التوقيف، بحق ثلاثة رجال يُشتبه في أنهم دبّروا أو شاركوا في عملية سطو عنيفة تعرّض لها حارس المرمى السابق لباريس سان جرمان الدولي الإيطالي جانلويجي...