Rússia ataca sede dos serviços de segurança ucranianos em Kiev
A sede do Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) foi atingida por um ataque de drone russo nesta sexta-feira (4), no centro de Kiev, um ataque que, segundo o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, teve como alvo o escritório do diretor da agência.
O ataque ocorreu às vésperas da primeira visita à capital ucraniana de Steve Witkoff e Jared Kushner, enviados do presidente americano, Donald Trump, que afirmou, nesta sexta-feira, que os dois iriam a Moscou e Kiev com uma proposta para "pôr fim à guerra".
A previsão é que os dois cheguem primeiro a Moscou no sábado, segundo o site Axios e o jornal The New York Times. Depois, seguiriam no domingo para Kiev, que propôs à Rússia a suspensão dos ataques aéreos durante estas visitas.
Mas no final da tarde desta sexta-feira, um drone russo atingiu o prédio principal do SBU, no centro de Kiev, a primeira ação do tipo desde o início do conflito, em 2022.
"O drone apontava diretamente para o escritório do chefe do serviço de segurança", Oleksandr Poklad, disse Zelensky, acrescentando que tinha falado com ele e lhe ordenou "uma resposta adequada e contundente".
Poklad não estava em seu escritório no momento do ataque, disse à AFP uma fonte próxima ao caso.
Posteriormente, Zelensky publicou duas fotos pelo aplicativo de mensagens Telegram, nas quais apareceu conversando com o chefe do SBU.
"As zonas alvo foram identificadas. O momento preciso para garantir um resultado exitoso será escolhido", ressaltou.
Jornalistas da AFP viram fumaça subindo no centro de Kiev, enquanto vários pedestres observavam os trabalhos dos serviços de emergência enviados para o local.
Quinze pessoas ficaram feridas, informou a administração militar da capital ucraniana, sem detalhar se estavam no prédio atacado.
Diante da falta de uma solução diplomática para o conflito, Moscou tem intensificado nas últimas semanas seus ataques com drones e mísseis dia e noite contra Kiev e outras cidades ucranianas, onde os alertas de ataque aéreo são emitidos com frequência crescente.
Neste verão boreal, o exército ucraniano também intensificou seus bombardeios contra a Rússia, às vezes longe do front. Kiev afirma que tem como alvos as infraestruturas logística, militar e energética russas.
Zelensky advertiu esta semana que o espaço aéreo russo agora é perigoso devido aos drones ucranianos, uma advertência que seu homólogo russo, Vladimir Putin, qualificou como "terrorista".
Nesta sexta-feira, Moscou pediu à Organização da Aviação Civil Internacional (OACI) que "condenasse" as declarações "ilegais" de Kiev.
É neste contexto que acontece a viagem dos enviados de Trump a Moscou e Kiev.
"Nós os enviamos para ver se podemos conseguir algo, e pode ser que haja uma boa chance de que consigamos", disse o presidente americano a jornalistas no Salão Oval da Casa Branca. "Temos uma ideia para a paz", acrescentou, sem detalhar se a proposta atual inclui alguma concessão territorial por parte de Kiev.
Zelensky afirmou que Kiev não lançará nenhum ataque contra a Rússia durante esta visita e pediu que a Rússia "garanta mutuamente um cessar-fogo".
Moscou, onde os enviados de Trump foram recebidos pela última vez em janeiro, não confirmou até o momento a visita, nem respondeu a essa proposta.
Na semana passada, a visita incomum do diretor da CIA, John Ratcliffe, a Moscou gerou muita especulação.
Segundo o Kremlin, Ratcliffe se reuniu com funcionários de inteligência russos.
Desde que retornou à Casa Branca no início de 2025, Donald Trump promoveu diversas rodadas de negociações para tentar encontrar uma solução para o conflito, sem nenhum avanço concreto até o momento.
No final de julho, o presidente ucraniano conversou por telefone com os enviados de Trump na tentativa de "reativar a diplomacia".
Esses esforços diplomáticos para encerrar o conflito armado mais sangrento na Europa desde a Segunda Guerra Mundial ficaram em segundo plano na agenda de Washington desde que os Estados Unidos lançaram ataques contra o Irã, juntamente com Israel, em fevereiro.
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