Jornal

Sobreviventes de massacre de 1960 na África do Sul processam o Estado

Published on September 3, 2026 at 17:33

Ativistas organizaram uma reencenação do Massacre de Sharpeville — PHILL MAGAKOE / AFP
Ativistas organizaram uma reencenação do Massacre de Sharpeville — PHILL MAGAKOE / AFP

Advogados de sobreviventes e familiares de vítimas do "massacre de Sharpeville", que expôs a brutalidade do apartheid sul-africano, iniciaram as ações judiciais contra o Estado por uma lei que bloqueia os pedidos de indenização.

Em 21 de março de 1960, a polícia sul-africana abriu fogo contra pessoas que protestavam em frente a uma delegacia na localidade de Sharpeville, resultando oficialmente em 69 mortos e pelo menos 180 feridos.

No entanto, investigações posteriores citadas pelos advogados concluem que ao menos 91 pessoas morreram e mais de 238 sofreram ferimentos.

Agora, advogados dos sobreviventes e familiares das vítimas exigem que o governo anule uma lei adotada em 1961 que proíbe indenizações ou o processamento dos responsáveis.

Abram Mokofeng tinha 20 anos quando sobreviveu ao massacre. Naquele dia, foi ferido por dois tiros, um em um pé e outro nas costas, onde a bala continua incrustada.

Cercado por sua filha e dois netos, Mokofeng, que agora tem 87 anos, relatou que na época protestavam contra uma lei que obrigava os sul-africanos negros a carregar uma caderneta de passe o tempo todo.

"A intenção era nos entregar para que nos prendessem porque não tínhamos o passe", relatou, antes que ativistas recriassem o massacre.

Charne Tracey, do grupo Lawyers for Human Rights (Advogados pelos Direitos Humanos) explicou que "os demandantes querem estabelecer um diálogo com o governo (...) para discutir reparações apropriadas".

Para Mpai Chabane, de 39 anos, a ação judicial também tem a ver com a perda de entes queridos. Sua avó, Martha Thinane, estava entre os mortos.

"É realmente triste e dilacerante", disse à AFP. "Nos tiraram nossa avó. Minha mãe tinha apenas quatro anos quando perdeu sua mãe".

Sello Theodore, de 86 anos, outro sobrevivente, disse que a violência o deixou profundamente marcado. "Meu coração está dolorido", afirmou.

Após o fim oficial do apartheid com as primeiras eleições, em 1994, o dia do massacre foi declarado Dia dos Direitos Humanos.

Latest stories

Video Nepal flood survivors cling to zipline across treacherous river

Rescue workers in Nepal’s Nuwakot district have installed a 250-metre zipline across the swollen Trishuli river, pulling survivors of last week’s devastating floods to safety. The glacial collapse on 26 August released a tsumani-like wave of water and debris into the valley, wiping away entire settlements and leaving many others cut off, with bridges and roads also destroyed in the disaster. "We don’t have any choice," says Krris Lama, one...

03 Sep 2026 — 19 minutes ago