Houthis do Iêmen tomam o controle de ilha crucial com acesso ao Mar Vermelho
Os houthis do Iêmen tomaram, nesta sexta-feira (11), uma ilha no estratégico Estreito de Bab el-Mandeb e passaram a controlar a passagem, mas prometeram respeitar a "livre navegação" na via que dá acesso ao Mar Vermelho a partir do Oceano Índico.
Na semana passada, o grupo rebelde pró-Irã, que domina amplas regiões do Iêmen, lançou uma ofensiva para controlar a rota marítima crucial que liga a Ásia e a Europa.
"Os navios que transportavam os combatentes houthis chegaram à ilha de Perim, depois que as forças do governo se retiraram ontem", quinta-feira, informou um funcionário do governo reconhecido pela comunidade internacional e apoiado pela Arábia Saudita.
"Os houthis concluíram a tomada da área de Bab el Mandeb e da ilha de Perim, situada no centro do estreito", enfatizou a mesma fonte, que falou com a AFP sob condição de anonimato.
Um conselheiro do líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, chamou o resultado de "vitória contundente".
Petroleiros e navios comerciais procedentes da Ásia utilizam o Estreito de Bab el-Mandeb para chegar ao Mar Vermelho e depois ao Canal de Suez e ao Mediterrâneo, e no sentido inverso em direção ao Oceano Índico.
Em caso de bloqueio do estreito, a única alternativa, muito mais longa e cara, é contornar a África pelo Cabo da Boa Esperança.
Um integrante do gabinete político dos houthis tentou, no entanto, acalmar os temores globais.
"A liberdade de navegação e o comércio internacional no Mar Vermelho e em Bab el-Mandeb são seguros e organizados", disse Hazem al Assad à agência de notícias Al Araby al Jadeed.
"Não há motivo para preocupação internacional", acrescentou o dirigente do grupo, um movimento apoiado pelo Irã que controla, há mais de uma década, amplas regiões do oeste do Iêmen, incluindo a capital Saná.
Segundo uma testemunha, homens armados "estavam se posicionando ao longo da costa de Bab el Mandeb", com veículos militares.
O Estreito de Bab el Mandeb ganhou ainda mais importância desde o início da guerra no Oriente Médio, em fevereiro, com os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e as represálias iranianas contra as monarquias do Golfo.
Teerã utiliza como instrumento de pressão a paralisação na prática do tráfego pelo Estreito de Ormuz, que fica do outro lado da Península Arábica e é uma das principais vias mundiais para o tráfego de petróleo e gás.
Diante dos graves transtornos provocados na rota e para tentar contornar o bloqueio iraniano em Ormuz, a Arábia Saudita optou por aumentar suas exportações de petróleo a partir do porto de Yanbu, no Mar Vermelho.
Segundo o portal americano Axios, o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, pediu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ordenasse ataques contra os houthis para conter o avanço dos insurgentes.
Trump recusou o pedido, apresentado duas vezes na quinta-feira, segundo o Axios, que cita fontes do governo americano. Uma delas explicou ao portal de notícias que Washington continuaria fornecendo informações de inteligência, mas não cogita uma intervenção militar direta.
As águas ao sul do Mar Vermelho abrigam quatro ilhas: Zuqar, tomada pelos houthis na quinta-feira, Perim e as duas ilhas Hanish.
Fontes militares do governo iemenita disseram à AFP que os houthis cercaram as forças oficiais nas ilhas Hanish e que, acreditam, os rebeldes ordenaram a rendição das tropas.
Os houthis aceleraram a ofensiva nos últimos dias em torno de Bab el-Mandeb e, na quinta-feira, tomaram a cidade portuária de Moca, 70 km ao norte do estreito.
Na cidade de Moca, diversas testemunhas afirmaram que viram combatentes houthis entrando na cidade, enquanto gritavam palavras de ordem contra os Estados Unidos e Israel, inimigos do Irã.
Em um comunicado, Tarek Saleh, comandante das forças que controlam Moca, classificou a ofensiva houthi como "planejada e apoiada pelo Irã".
Após deixar Moca durante a noite, Mohamed, de 46 anos, descreveu à AFP um ambiente "apocalíptico" na cidade histórica, que deu nome ao café 'moca' (ou 'mocha').
Os preços do petróleo sentiram o impacto e o barril de Brent voltou a ser negociado nesta sexta-feira acima dos 100 dólares.
Segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), pelo menos 46.000 pessoas foram deslocadas desde a retomada da intensificação dos combates no sudoeste do país.
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