Jornal

PISA aponta queda histórica de rendimento escolar, em particular em leitura

Published on Septiembre 8, 2026 at 19:26

A OCDE advertiu que o panorama geral é preocupante, com uma queda de mais de 20 pontos em leitura e matemática — Fred TANNEAU / AFP
A OCDE advertiu que o panorama geral é preocupante, com uma queda de mais de 20 pontos em leitura e matemática — Fred TANNEAU / AFP

Os alunos dos países avaliados pelo relatório PISA (Programa para a Avaliação Internacional de Estudantes) registraram o "pior nível médio de desempenho já observado", segundo o estudo publicado nesta terça-feira (8) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que alerta para uma deterioração "especialmente preocupante" em leitura.

A nova edição da avaliação internacional, considerada um dos principais termômetros mundiais dos sistemas educacionais, analisou as competências de quase 760.000 estudantes de 15 anos em 91 países e territórios em ciências, leitura e matemática.

Como em edições anteriores, a Ásia dominou a classificação. As regiões chinesas de Pequim, Xangai, Jiangsu e Zhejiang ocuparam as primeiras posições em ciências e matemática, enquanto Singapura liderou em leitura. Macau, Taiwan, Japão e Coreia do Sul completaram as posições de destaque.

Nenhum país latino-americano aparece entre os melhores posicionados nas três disciplinas avaliadas, embora alguns, como Uruguai, Costa Rica e El Salvador, tenham melhorado seus resultados em ciências na comparação com o relatório anterior, publicado há três anos.

A OCDE advertiu, no entanto, que o panorama geral é preocupante. "Os resultados em ciências permanecem aproximadamente estáveis, mas há uma queda de mais de 20 pontos em leitura e matemática", afirmou Éric Charbonnier, especialista em educação da organização.

Segundo a OCDE, uma variação de 20 pontos equivale a aproximadamente um ano de escolarização.

Entre 2015 e 2025, as pontuações em ciências registraram queda de sete pontos em média nos países da organização. Em matemática, a queda chegou a 22 pontos, contra oito pontos no restante dos sistemas educacionais avaliados.

A queda foi ainda mais acentuada em leitura. Os resultados registraram queda de 28 pontos nos países da OCDE durante a última década, contra 16 pontos no restante das nações que participaram do exame.

A organização considera o retrocesso "especialmente preocupante" porque a leitura constitui a base da maioria das aprendizagens escolares, como "resolver um problema de álgebra, analisar uma fonte histórica ou interpretar uma experiência científica".

Para explicar a tendência, a OCDE menciona vários fatores, incluindo o uso crescente das telas, a perda de interesse pela leitura entre os jovens e as mudanças na relação dos estudantes com a escola desde a pandemia de covid-19.

O relatório do Programa para a Avaliação Internacional de Estudantes (PISA) também examinou o uso da inteligência artificial em sala de aula.

A OCDE constatou que um uso mais intensivo destas ferramentas costuma estar associado a resultados piores em ciências.

No entanto, alguns dos sistemas educacionais mais bem-sucedidos, como Singapura e Macau, figuram entre aqueles cujos alunos declaram utilizar a IA com maior frequência.

Na América Latina, Uruguai e Chile voltaram a figurar entre os sistemas educacionais mais bem posicionados da região, com 445 e 442 pontos, respectivamente, em ciências, embora ambos continuem muito abaixo dos líderes asiáticos.

Na Europa, Estônia, Reino Unido, Finlândia e Irlanda se destacaram e apresentaram resultados acima da média da OCDE, assim como Canadá e Nova Zelândia fora do continente.

"O panorama geral é sombrio", reconheceu o organismo, embora tenha ressaltado que os avanços demonstram que as melhorias continuam sendo possíveis apesar do retrocesso global observado na última década.

Latest stories