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Sánchez inocenta Marrocos, mas defende soberania espanhola sobre Ceuta

Published on Septiembre 3, 2026 at 17:39

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, no Congresso para falar sobre a situação em Ceuta, em 3 de setembro de 2026, em Madri — Thomas Coex / AFP
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, no Congresso para falar sobre a situação em Ceuta, em 3 de setembro de 2026, em Madri — Thomas Coex / AFP

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, insistiu nesta quinta-feira (3) que não há "evidências sólidas" de que Marrocos tenha instigado o fluxo maciço de migrantes para Ceuta no final de julho, mas reafirmou a soberania espanhola sobre o enclave. 

O reino alauita reivindica a soberania sobre esta cidade e sobre Melilla, o outro enclave espanhol no norte da África. Ambos possuem as únicas fronteiras terrestres entre a África e a União Europeia.

Políticos e a população questionam o papel desempenhado por Rabat quando, no final de julho, mais de 70.000 migrantes invadiram Ceuta em dois dias, quase o mesmo número que a população do enclave, de mais de 80.000 habitantes.

As dúvidas se intensificaram na quarta-feira, após o vazamento de um relatório policial que apontava para a "permissividade" das forças de segurança marroquinas durante esse fluxo maciço de pessoas.

Nenhum serviço governamental ou organização internacional "forneceu ao governo espanhol evidências sólidas de que Marrocos planejou ou executou o incidente", disse Sánchez ao Congresso.

"Se existissem provas concretas, agiríamos de acordo com a contundência que a situação exige", insistiu o líder socialista.

"Nem temos a menor intenção de desencadear um grande conflito diplomático, em um mundo já turbulento, com um país vizinho sem termos dados sólidos para fazê-lo", esclareceu mais tarde.

Durante o último mês, a oposição de direita e extrema direita questionou repetidamente a gestão da crise pelo governo, convencida, assim como alguns dos aliados de esquerda do governo, de que o Marrocos desempenhou um papel neste fluxo maciço, que também resultou em dezenas de mortes e desaparecimentos.

"O argumento apresentado na sua declaração é devastador. Não sabemos nada, portanto não temos qualquer responsabilidade ou culpa. Se esta for a verdade, demita-se por incompetência, e se for falsa, demita-se por cumplicidade", declarou Alberto Núñez Feijóo, líder do Partido Popular (direita), na sua réplica, descrevendo o fluxo maciço como "um possível ato de guerra híbrida".

Embora tenha novamente inocentado Rabat, Sánchez condenou, em seu discurso, as recentes declarações de dois ministros marroquinos a respeito de Ceuta e Melilla.

"Rejeitamos categoricamente" as declarações, pelas quais "convocamos a embaixadora marroquina em 21 de agosto", explicou Sánchez.

Naquele dia, o jornal marroquino Le Desk informou que o ministro da Justiça, Abdellatif Ouahbi, reivindicou a "identidade marroquina" de Ceuta e Melilla em entrevista à emissora pública 2M.

"Essas duas cidades são espanholas há séculos (...) E garanto-lhes que o governo espanhol manterá essa posição até o fim dos tempos", retrucou Sánchez no Congresso.

Em seu discurso, o chefe de Governo também defendeu a necessidade de o rei Felipe VI visitar as duas cidades "nas próximas semanas" para transmitir "o compromisso absoluto do Estado" com elas.

A última visita de um monarca espanhol aos dois territórios aconteceu em novembro de 2007, quando o rei Juan Carlos viajou às cidades e desencadeou uma crise diplomática com Rabat.

Embora a grande maioria dos migrantes que chegaram a Ceuta no final de julho tenha retornado pouco depois, vários milhares — cerca de 5.000 segundo o governo central, 10.000 segundo as autoridades locais — permanecem no pequeno território.

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