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Elif Eralp, a rival da extrema direita que se aproxima da prefeitura de Berlim

Published on Septiembre 21, 2026 at 13:56

A candidata do partido de esquerda radical Die Linke à prefeitura de Berlim, Elif Eralp — RALF HIRSCHBERGER / AFP
A candidata do partido de esquerda radical Die Linke à prefeitura de Berlim, Elif Eralp — RALF HIRSCHBERGER / AFP

Apresentando-se como a "resposta" à ascensão da extrema direita na Alemanha, a jurista de origem turca Elif Eralp pode se tornar a primeira prefeita de esquerda radical da capital alemã, após uma campanha centrada na crise da moradia.

O partido de esquerda radical Die Linke venceu as eleições regionais em Berlim com 25% dos votos, superando a CDU (20%), e está em condições de assumir o comando da prefeitura. O partido de extrema direita AfD também avançou na cidade, com quase 15% dos votos.

Elif Eralp, 45 anos, não escondeu a emoção durante um evento do partido no moderno bairro berlinense de Kreuzberg. Ela agradeceu aos pais por terem ensinado a importância de "nunca desistir, sempre se levantar e fazer sua voz ser ouvida".

Caso consiga estabelecer uma coalizão com outras forças de esquerda, Elif se tornará ainda a primeira prefeita de Berlim de origem imigrante.

Para isso, ela precisará convencer o Partido Verde, que recebeu quase 15% dos votos, e o Partido Social-Democrata (SPD), que governou durante anos a capital alemã, mas registrou seu pior resultado histórico, com apenas 12% dos sufrágios.

A moradia, tema central de sua campanha, é a prioridade de Elif Eralp, que tornou a luta pelo controle dos aluguéis uma marca pessoal, a ponto de usar um pingente com o lema "Teto para os aluguéis".

Mas há dúvidas se ela conseguirá impor sua medida emblemática: expropriar os imóveis dos grandes grupos imobiliários para transferir quase 270.000 unidades ao setor público, como propõe o Die Linke.

Os ecologistas são favoráveis, mas o candidato do SPD, Steffen Krach, afirmou na semana passada, durante o último debate, que este não é o "caminho correto".

Na saída de uma seção eleitoral no domingo, Moritz Lembke-Özer, um "berlinense de nascimento", explicou à AFP que votou no Die Linke para enviar "um sinal forte" sobre a questão da moradia, "o principal desafio social de Berlim".

Casada e mãe de dois filhos, Elif Eralp afirma que há anos procura um apartamento maior para sua família.

Desconhecida há alguns meses, a filha de sindicalistas turcos que fugiram de seu país em 1980 nasceu em Munique e orientou sua carreira como jurista para a defesa dos direitos humanos, em particular dos imigrantes, antes de entrar para o Die Linke, partido herdeiro da tradição política do antigo SED, a legenda comunista que governou a Alemanha Oriental.

O "período muito difícil" que sua família viveu nos primeiros anos na Alemanha influenciou de maneira decisiva sua entrada na política. "Enfrentei muitas injustiças", afirmou recentemente.

"Seria realmente um sinal forte que uma pessoa com uma história migratória se tornasse prefeita de Berlim", declarou.

A notoriedade repentina de Elif Eralp, suas origens imigrantes e seu perfil de esquerda renderam comparações com Zohran Mamdani, o "outsider" que se tornou prefeito de Nova York, a quem ela considera um "modelo".

Assim como Mamdani, Elif também teve que responder a acusações de antissemitismo dirigidas ao seu partido, o Die Linke, devido às suas posições pró-palestinas.

O episódio mais recente ocorreu durante um evento organizado pela seção do Die Linke no bairro berlinense de Neukölln, em que, segundo a imprensa, um rapper defendeu a intifada no palco e pediu a morte de integrantes das Forças Armadas israelenses.

Após o ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, o bairro, com uma importante população árabe, foi cenário de celebrações.

Elif Eralp, que durante a campanha promoveu um plano para a "proteção da vida judaica em Berlim", lamentou que uma "linha vermelha" tenha sido ultrapassada em Neukölln.

O candidato do partido neste distrito multicultural, Ahmed Abed, afirmou à AFP que "não tolera nenhum antissemitismo" e criticou "esta equiparação constante entre Israel e judaísmo".

Para Hans-Dieter Rieveler, de 55 anos, que votou no centro de Berlim, a presença de "antissemitas" no partido provocou "dor de estômago", em um país que segue profundamente marcado pelos crimes do nazismo. Ainda assim, ele explicou que votou no Die Linke, como tem feito nos últimos anos.

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