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Mercados argentinos têm segunda-feira sombria após derrota de Macri

AFP / ALEJANDRO PAGNI Alberto Fernández teve 47% dos votos nas primárias de 11 de agosto de 2019 na Argentina

O peso argentino derreteu, e a bolsa recuou 37,93% nesta segunda-feira (12), após a derrota do liberal Mauricio Macri nas primárias deste domingo, das quais o kirchnerista Alberto Fernández saiu como favorito às eleições presidenciais de 27 de outubro.

A moeda argentina abriu a 53 pesos, mas rapidamente alcançou os 60 pesos por dólar. Acabou fechando a 57,30 pesos, uma desvalorização de 18,76% em relação a sexta-feira passada. Algumas casas de câmbio desligaram seus letreiros e, em alguns momentos, os sites de bancos saíram do ar.

O Banco Central argentino elevou a taxa de juros a 74% ano e preparou um leilão de 50 milhões de dólares, em uma tentativa de conter a corrida cambial.

AFP / Nicolas RAMALLO Desvalorização do peso argentino

Mas a incerteza fez a Bolsa de Buenos Aires despencar. Na sexta, ela tinha subido 8%, demonstrando otimismo. Nesta segunda, a queda foi de até 38%, chegando a 49% para algumas ações.

Na Bolsa de Nova York, os títulos argentinos tiveram queda de cerca de 20% e as ações de empresas argentinas de mais de 50%.

"É o que acontece quando um governo mente sobre o rumo da economia", reagiu Fernández, visto com desconfiança pelos mercados, que prefere Macri e suas políticas liberais.

Fernández, que forma chapa com a ex-presidente Cristina Kirchner (2007-2015), teve 47% dos votos, e Macri, 32%. A diferença é quase impossível de ser superada. Com candidaturas definidas de antemão, as primárias servem como uma pesquisa de escala real.

Se o resultado se repetir em outubro, Fernández pode ganhar no primeiro turno. Para isso, é preciso obter 45% dos votos, ou 40% se tiver mais de 10 pontos à frente do segundo colocado.

- 'É pelo passado' -

AFP / Nicolas RAMALLO Bolsa argentina

Em coletiva de imprensa, Macri justificou o resultado de domingo como uma "votação de bronca" pelo que a população tem sofrido com sua política de ajuste. Contudo, atribuiu os resultados dos mercados nesta segunda-feira ao temor das políticas kirchneristas.

"Isto é apenas uma mostra do que vai acontecer. Isso é pelo passado, há muita gente que não deixa seu dinheiro neste país, que vai embora deste país. O que pode acontecer é horrível", declarou Macri com seu companheiro de chapa, Miguel Ángel Pichetto.

"A alternativa kirchnerista não tem credibilidade no mundo", atacou Macri, referindo-se às políticas protecionistas de Néstor e Cristina Kirchner (2003-2015).

Ele também ratificou que continua na corrida eleitoral.

"Confio que vamos reverter o mau resultado e vamos ter uma eleição mais equilibrada em outubro, que vai nos permitir chegar ao segundo turno, no qual a maioria que não quer voltar ao passado vai nos acompanhar", opinou.

Fernández foi chefe de gabinete do já falecido ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007) e depois de Cristina durante 2008, sue primeiro ano de governo.

Rompeu com ela e tornou-se um crítico feroz, até a reconciliação que, dez anos depois, lhes uniu na chapa presidencial.

- Insatisfação com a economia -

AFP / Nicolas RAMALLO A economia argentina

Desde que assumiu em dezembro de 2015, o presidente revogou as políticas de sua antecessora, com abertura aos mercados, mas o país enfrenta uma severa crise econômica, com recessão, inflação elevada e aumento da pobreza.

A recessão, a inflação de 22% no primeiro semestre - uma das mais altas do mundo - e a pobreza que atinge 32% da população pesaram mais nas primárias que a rejeição a Kirchner e as denúncia de corrupção contra ela.

Para o analista político Carlos Fara, o resultado deixou comprovado "que o governo perdeu o apoio de setores cruciais da sociedade".

"A votação mostrou uma insatisfação profunda com a situação econômica, a angústia na sociedade, que sentiu que o governo tinha se desconectado da realidade e não esteve à altura para enfrentar os problemas", opinou à AFP.

Devido à crise econômica, o governo de Macri pactuou um programa de ajuste com o Fundo Monetário Internacional em troca de um empréstimo de 56 bilhões de dólares.

Para o analista político Sergio Berensztein, o governo atravessa "sua pior crise política".

"O eleitoral passou para o terceiro plano. A reação dos mercados foi contundente. Hoje, todos os argentinos estão mais pobres", sinalizou.

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