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EUA e outros 11 países convocam tratado de defesa por crise venezuelana

AFP / EVARISTO SA Os chanceleres de Chile e Brasil, Teodoro Ribera (E) e Ernesto Araújo, no Palácio Itamaraty.

Os Estados Unidos e onze outros países americanos convocaram nesta quarta-feira os ministros das Relações Exteriores dos Estados que fazem parte do tratado de defesa do TIAR para uma reunião na segunda metade deste mês, quando discutirão o "impacto desestabilizador" da crise na Venezuela.

A ativação do órgão de consulta do Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR) foi votada no conselho permanente da OEA por 12 dos 19 países signatários do acordo: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, El Salvador, Estados Unidos, Guatemala, Haiti, Honduras, Paraguai, República Dominicana e Venezuela.

Cinco países se abstiveram: Costa Rica, Panamá, Peru, Trinidad e Tobago e Uruguai; enquanto Bahamas e Cuba estavam ausentes.

O governo do presidente Nicolás Maduro reagiu afirmando que a Venezuela "não aceita e nem reconhece qualquer obrigação derivada" do TIAR, que chamou de "nefasto" e "infame instrumento imperial".

"É doloroso que países que foram invadidos por tropas americanas e cujos povos foram massacrados na aplicação do TIAR hoje avalizem um crime semelhante contra o nosso país".

A Venezuela abandonou o TIAR há seis anos, mas em julho passado, a Assembleia Nacional venezuelana, liderada pelo opositor Juan Guaidó, aprovou o regresso ao tratado.

As decisões da Assembleia Nacional, considerada em desacato pelo Supremo Tribunal, não são reconhecidas pelo governo de Nicolás Maduro.

Gustavo Tarre, designado por Guaidó como delegado da Venezuela na OEA, declarou que defenderá que a reunião dos chanceleres do TIAR se realize à margem da 74ª Assembleia Geral das Nações Unidas, cujo início está previsto para o dia 17 de setembro, em Nova York.

"A crise na Venezuela tem um impacto desestabilizador, representando uma clara ameaça à paz e à segurança do Hemisfério", destaca a resolução para sustentar a convocação.

Segundo o TIAR, também conhecido como Tratado do Rio por sua adoção nesta cidade em 1947, os chanceleres podem adotar medidas que vão da ruptura das relações diplomáticas ao emprego da força armada.

Durante a sessão da OEA, a Costa Rica tentou, sem sucesso, aprovar uma emenda excluindo o uso da força armada como alternativa.

O secretário americano de Estado, Mike Pompeo, disse que a convocação "é uma prova do reconhecimento colectivo da região de que Nicolás Maduro não é apenas a causa do sofrimento do povo venezuelano, mas também ameaça a paz e a estabilidade da região".

Antes da votação, o chanceler da Colômbia, Carlos Holmes Trujillo, pediu à comunidade internacional que utilize todos os instrumentos ao seu alcance "para combater eficazmente o terrorismo", ao denunciar o apoio de Maduro à guerrilha colombiana do Exército de Libertação Nacional (ELN) e a ex-combatentes da extinta Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

Trujillo exibiu um vídeo no qual Maduro diz que Iván Márquez e Jesús Santrich, dois ex-guerrilheiros das Farc atualmente foragidos, são "líderes de paz bem-vindos" na Venezuela.

O chanceler colombiano afirmou que a "proteção" do "regime ditatorial" de Maduro ao ELN e a grupos armados residuais colombianos "'narcoterroristas' gera novos elementos de insegurança à paz e à estabilidade na região".

- Colômbia rejeita diálogo -

O presidente da Colômbia, Iván Duque, rejeitou qualquer diálogo com Maduro para reduzir a crescente tensão na fronteira comum, alegando ser impossível negociar com quem rejeita a democracia.

"Quando você dialoga é para aproximar posições e buscar pontos de acordo, mas somos um país que defende a democracia (...) e Nicolás Maduro é inimigo da democracia", disse Duque a jornalistas em Florencia, no departamento de Caquetá.

"A Colômbia mantém sua posição porque nós não estamos agredindo ninguém, não estamos fazendo provocações de caráter militar", destacou Duque, que seguirá denunciando junto aos organismos internacionais a presencia de "terroristas colombianos" na Venezuela.

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