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Denúncias de corrupção ameaçam liderança de Guaidó na Venezuela

AFP/Arquivos / Yuri CORTEZ O líder opositor e autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, em Caracas, em 26 de novembro de 2019

Denúncias de corrupção contra aliados do líder opositor Juan Guaidó desencadearam neste domingo uma crise que enfraquece sua estratégia de expulsar do poder o presidente venezuelano Nicolás Maduro.

Uma investigação jornalística publicada neste domingo pelo site Armando.Info aponta nove deputados da oposição - alguns da Comissão de Controladoria do Parlamento - por manobras em favor do empresário colombiano Carlos Lizcano, vinculado a um programa de Maduro para distribuir alimentos subsidiados.

Lizcano é identificado pelo portal como "subalterno" de outros dois empresários colombianos, Alex Saab e seu sócio Álvaro Pulido, sancionados em 25 de julho pelos Estados Unidos após acusações de sobrepreços em suas importações de alimentos para os chamados Comitês Locais de Abastecimento e Produção (CLAP).

Saab e Pulido enfrentam acusações da justiça americana por lavagem de dinheiro proveniente do plano de Maduro, que a oposição denuncia como estratégia de controle social.

Os legisladores, de acordo com a investigação, enviaram mensagens às autoridades da Colômbia e dos Estados Unidos para livrar Lizcano de responsabilidade nos crimes de Saab e Pulido.

"Não permitirei que a corrupção ponha em risco tudo o que sacrificamos (...) nem ao regime nem a um pequeno grupo de imorais que querem fraturar os venezuelanos. Não vamos encobrir os crimes de ninguém", reagiu Guaidó, chefe do Legislativo e reconhecido como presidente interino por cinquenta países.

Guaidó anunciou neste domingo medidas contra essas denúncias.

Mas este não é o único caso que prejudica a oposição.

Na sexta-feira, depois que Guaidó o demitiu como embaixador na Colômbia, Humberto Calderón Berti acusou representantes do líder opositor da má administração dos recursos destinados à manutenção dos 148 soldados que desertaram em fevereiro em apoio ao chamado governo interino e que fugiram para a Colômbia.

"As autoridades colombianas me alertaram e me mostraram documentos sobre prostitutas, bebidas alcoólicas, coisas impróprias", disse Calderón Berti a repórteres, indicando que sua relação com Guaidó foi rompida há meses.

O ex-chanceler venezuelano (1992) absteve-se de culpar o chefe parlamentar. Também não precisou os nomes dos envolvidos.

No sábado, em uma carta endereçada a Guaidó, o legislador Freddy Superlano renunciou à presidência da Comissão de Controladoria da Assembleia Nacional para "facilitar as investigações".

No domingo, os principais partidos da oposição - Vontade Popular e Primeiro Justiça - excluíram de suas bancadas legislativas cinco deputados citados pelo Armando.Info. Os demais fazem parte de outros partidos.

Também anunciaram investigações internas para determinar "responsabilidades" e possíveis "sanções".

Em 6 de novembro, o deputado opositor José Guerra havia denunciado "subornos" a colegas, sem dar detalhes.

"Não há osso saudável, as acusações vão e vêm", escreveu no Twitter Diosdado Cabello, presidente da governista Assembleia Constituinte, que na prática assumiu as atribuições do Parlamento de maioria opositora

Os escândalos explodiram no momento em que Guaidó tenta, sem muito sucesso, reativar os protestos contra Maduro.

A popularidade do opositor, que se auto-proclamou presidente em 23 de janeiro, está em queda, enquanto o presidente socialista resiste com o apoio de um setor da população, militares, Cuba, Rússia e China.

Sua popularidade, que atingiu 63%, caiu para 42% em outubro, segundo pesquisa Datanálisis.

Se não conseguir lidar com as denúncias de corrupção, sua imagem poderá se desgastar ainda mais.

Em 5 de janeiro, ele terminará seu mandato à frente do Parlamento. Embora existam acordos para sua continuidade, grupos minoritários criticam sua estratégia contra o chavismo e outros estão em negociações com Maduro.

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