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'Confiem em nós', pede futebol francês na luta contra a homofobia

AFP / Thomas SAMSON A ministra francesa dos Esportes, Roxana Maracineanu (D), e o presidente da Federação Francesa de Futebol, Noël Le Graet, lado a lado na tribuna antes da partida da equipe francesa em rodada de qualificação para a Euro-2020 contra Andorra em 10 de setembro de 2019 no Stade de France, em Saint-Denis

"É necessário que os políticos confiem em nós", garantiu nesta quarta-feira (11) o diretor-geral da Liga de Futebol Profissional francesa (LFP), Didier Quillot, sobre a luta contra a homofobia, uma questão que atualmente divide o futebol da França e o governo nas medidas que devem ser tomadas para combater essa discriminação.

Após alguns dias de trocas de farpas entre dirigentes do futebol e políticos do país sobre como agir contra a homofobia nos estádios, os dois lados tentaram reduzir a tensão nesta quarta-feira (11).

"É necessário que os políticos confiem em nós e nos deixem trabalhar", disse Quillot após uma reunião da LFP com representantes dos torcedores e associações antidiscriminação.

"Confio nos torcedores, em seus representantes, nos presidentes de clubes e nos atores de futebol para encontrarmos juntos o caminho que nos permitirá sair mais fortes e mais unidos diante dessa situação", afirmou ao fim do encontro Nathalie Boy, presidente da LFP.

Com o objetivo de reduzir a tensão, a ministra do Esporte, Roxana Maracineanu, e o presidente da Federação Francesa de Futebol, Noël Le Graët, publicaram uma declaração conjunta para mostrar que estão de acordo em "agir de maneira decisiva, adaptada e pragmática".

No texto, os dois líderes mostraram "confiança no julgamento dos árbitros e dos comitês disciplinares" da LFP e da Federação e convidaram "associações de torcedores e clubes a se unirem para construir um processo pedagógico que envolva todos os atores e lutar em solidariedade contra todas as formas de discriminação em favor do respeito e da coexistência".

O governo francês e a Federação entraram em rota de colisão por conta do pedido dos políticos para que os árbitros interrompam as partidas de futebol em caso de gritos racistas ou homofóbicos nos estádios.

Este pedido não agradou a Le Graët: "Parar as partidas não me interessa. É um erro. Pararia um jogo por causa de gritos racistas, pararia uma partida por causa de uma briga, por causa de incidentes se houver perigo nas arquibancadas, mas não é o mesmo", afirmou o dirigente numa entrevista, acrescentando que espera que os serviços de segurança do clube "reajam".

"Devem controlar as pessoas que entram nos estádios, há funcionários ali para retirar essas bandeiras rapidamente. Mas parar os jogos é outra coisa, o jogo é algo mais complicado. Vamos nos preocupar em tirar as bandeiras, mas parar os jogos não", acrescentou.

"A homofobia é um problema nacional, não aceito que apenas o futebol seja afetado pela homofobia porque é completamente falso. É um problema nacional", declarou à France Info.

- "Racismo e homofobia não são a mesma coisa" -

Le Graët afirmou, ainda, que o racismo nos gramados e a homofobia nas arquibancadas "não são a mesma coisa".

A ministra dos Esportes qualificou de "erro" este ponto de vista do dirigente esportivo. "A posição adotada por Noël Le Graët diferenciando homofobia e racismo é errônea", declarou Maracineanu após o conselho de ministros na terça-feira.

Maracineanu intercedeu por seu direito a defender "como ministra, todos os cidadãos", depois que Le Graët criticou há algumas semanas a ex-campeã de natação.

"Há temas políticos mais (...) Ela não tem o hábito de vir aos estádios e é verdade que nas piscinas não se ouve o que se grita", havia dito Le Graët.

A próxima rodada da Ligue 1, que será disputada no próximo fim de semana, permitirá sentir a situação e o caminho a seguir.

Quillot declarou que "quando forem ouvidos propósitos discriminatórios", os delegados da LFP "alertarão o árbitro, que terá a decisão final de interromper a partida".

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