You are here

Atualidade

PIB brasileiro ganha impulso no terceiro trimestre: +0,6%

AFP / Miguel SCHINCARIOL Consumidores aproveitam Black Friday em São Paulo, em 28 de novembro de 2019

A economia brasileira cresceu 0,6% no terceiro trimestre em relação ao trimestre anterior, mais do que o esperado, o que é uma boa notícia para o governo Jair Bolsonaro, que embarcou em um programa de reformas de mercado.

O crescimento em relação ao terceiro trimestre de 2018 foi de 1,2%, informou o IBGE nesta terça-feira (3), revisando em alta os números anteriores deste ano e os de 2018.

A estimativa média de 35 analistas consultados pelo jornal "Valor Econômico" foi um crescimento trimestral de 0,4%.

A recuperação pode ser encorajadora, mas deve ser consolidada e ampliada para reduzir uma massa de 12,4 milhões de desempregados e afastar os temores do governo de um contágio da onda de agitação social que se espalha por vários países da América do Sul.

Bolsonaro disse que o resultado reforça sua convicção de que os ajustes promovidos por seu ministro da Economia, Paulo Guedes, para limpar contas públicas começaram a dar resultados.

"PIB brasileiro cresceu 0,4% no segundo trimestre de 2019, o dobro do previsto pelos jornais/especialistas e o melhor resultado em 6 anos para o período. Aos poucos o Brasil vai saindo do buraco que o PT o colocou e retomando o crescimento. Estamos no caminho certo!", tuitou o presidente.

A essa cifra, somam-se a menor taxa de juros da história (5%) e o aumento do investimento (2,9%) em relação ao ano anterior, entre outros números positivos do setor de comércio e turismo.

- Consumo e investimentos em alta -

No período de julho a setembro, houve uma expansão trimestral em todas as frentes, exceto nas compras do governo (-0,4%), em um país sujeito a um severo plano de ajuste fiscal.

O setor agrícola cresceu 1,3%; a indústria, 0,8%; e os serviços, 0,4%.

Do lado da demanda, o consumo das famílias aumentou 0,8%, em uma conjuntura de cortes nas taxas de juros e na liberação de recursos para situações de emergência.

Enquanto isso, o investimento em capital fixo teve um aumento de 2%, incentivado, segundo analistas, pelo aumento das importações.

As revisões relatadas pelo IBGE foram todas em alta.

Dessa forma, o crescimento do segundo trimestre foi de 0,5% (e não 0,4%). Já o do primeiro trimestre foi zero, e não negativo (-0,2%), conforme reportado inicialmente.

O PIB dos últimos quatro trimestres marca uma expansão de 1%, em linha com as últimas previsões do governo e dos investidores para 2019.

Esse resultado seria semelhante ao crescimento de 1,1% em 2017, e 1,3%, em 2018 (valor também revisado em mais de dois décimos).

Mesmo melhorados, estes números permanecem fracos, porém, para um país que nunca decolou da grave recessão em 2015 e 2016.

Até 2020, os analistas preveem um fortalecimento da tendência a partir do quarto trimestre e um crescimento de 2,20% em 2020.

- Temor de crise social -

Depois de reduzir sua taxa básica de 5,5% para uma nova baixa histórica de 5%, o Banco Central indicou no mês passado que, a partir do quarto trimestre, haverá "alguma aceleração [de crescimento], reforçada por estímulos" ao consumo.

"Até recentemente, a economia estava estagnada, e 2% revelariam algum dinamismo", diz Mauro Rochlin, professor de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro.

"Não sei se isso vai acontecer. Existem alguns dados encorajadores, mas, no momento, são apenas representativos desse clima mais promissor", acrescenta.

O Banco Central deixou espaço para um novo corte de taxa, em 11 de dezembro, sob a condição de que "a perseverança nos ajustes necessários" seja mantida, após a recente aprovação da reforma da Previdência.

No início de novembro, o governo apresentou três projetos de reformas constitucionais para "transformar o Estado brasileiro", com o objetivo de cortar drasticamente os déficits.

A onda de protestos sociais intensos e violentos em países com governos conservadores como Chile, ou Colômbia, e a eleição do político de centro esquerda Alberto Fernández na Argentina levaram Bolsonaro a conter os impulsos de Guedes.

"Nós estávamos em um caminho. E aí, de repente, começa a confusão na América Latina. Bagunça, desordem, aí o 'timing' político começa a mudar", admitiu Guedes em entrevista publicada no domingo pelo jornal "O Globo".

A rede mundial da AFP

200 escritórios pelo mundo cobrindo 151 países

Saiba mais
Saiba mais

Contato AFP

Você quer fazer um comentário? Escreva-nos...