You are here

Atualidade

Funcionários dos EUA deixam de receber salário por 'shutdown' do governo

AFP/Arquivos / NICHOLAS KAMM Funcionários se manifestam em Washington DC pela paralisação do governo, em 10 de janeiro de 2019

Os cerca de 800.000 funcionários federais americanos afetados pelo fechamento do governo não receberão seus salários pela primeira vez nesta sexta-feira (11), enquanto o presidente Donald Trump ameaça recorrer a um procedimento excepcional para financiar seu projeto de erguer um muro na fronteira com o México.

No 21º dia de "shutdown", que afeta parte das administrações, não parece haver avanços nas negociações entre Trump - que quer destinar 5,7 bilhões de dólares para cumprir sua promessa de campanha - e a oposição democrata no Congresso - que se nega a liberar esses fundos para financiar uma obra que considera "imoral", cara e ineficaz para combater a imigração ilegal.

Nesta sexta, o presidente voltou a criticar com uma mensagem no Twitter chamando de "invasão" a situação vivida na fronteira com o México, insistindo que sem o muro os Estados Unidos não podem ser "um país seguro. Criminosos, gangues, traficantes de pessoas, drogas e muitos outros problemas".

Se antes da meia-noite desta sexta não houver acordo, o este "shutdown" será o mais longo da História, superando os 21 dias de outra paralisação orçamentária ocorrida entre 1995 e 1996 durante o mandato de Bill Clinton.

Enquanto isso, cerca de 800.000 funcionários públicos de vários departamentos e agências federais não receberam o seu salário nesta sexta-feira. A maioria deles recebe a cada quinzena e, por isso, o pagamento foi feito no final de dezembro.

A Câmara de Representantes aprovou nesta sexta-feira uma lei, já aprovada pelo Senado, para garantir que os funcionários recebam retroativamente assim que terminar a paralisação. Agora, corresponde ao presidente promulgar o texto.

Este tipo de medida é anormal quando o país sofre um 'shutdown', mas não beneficia os milhões de trabalhadores contratados também afetados.

O "shutdown" atinge vários deparamentos fundamentais, como os de Segurança Nacional (DHS), Justiça e Transporte. "Mais de 200.000 funcionários do DHS - encarregados de proteger o nosso espaço aéreo, nossas vias fluviais e nossas fronteiras - não receberão o seu salário enquanto trabalham", denunciou Bennie Thompson, presidente democrata da Comissão para a Segurança Nacional da Câmara de Representantes.

Os principais sindicatos do transporte aéreo, entre eles os de pilotos, tripulação e controladores aéreos, denunciaram na quinta-feira que a situação está piorando, e advertiram sobre o risco que isso supõe para a segurança do país.

De fato, um terminal do aeroporto de Miami vai fechar de forma intermitente de sábado a segunda-feira por falta de pessoal.

Cerca de 2.000 funcionários se manifestaram na quinta-feira em Washington para mostrar a sua inquietação pela deterioração de suas condições de vida.

- 'Feitos reféns' -

"Temos contas a pagar. Temos que pagar nossas hipotecas", se queixou à AFP Anthony, um funcionário público da Guarda Costeira.

AFP/Arquivos / NICHOLAS KAMM Funcionários se manifestam em Washington contra a paralisação do governo, em 10 de janeiro de 2019

"Sempre tive o salário mais alto em casa e os tempos são difíceis agora que o dinheiro não chega. Felizmente temos algumas economias para sobreviver, mas não durarão muito", explicou. Nós, funcionários, fomos "feitos reféns" pelo presidente, acrescentou.

Ao longo do país são organizadas iniciativas privas e públicas, como distribuição gratuita de comida e feiras de emprego para funcionários tecnicamente desempregados.

O "shutdown" afeta também os recém-casados, que não podem legalizar a sua união pela falta de funcionários federais.

Paradoxalmente, o conflito, que no fundo se deve à forma de responder à chegada de imigrantes ao país, fragiliza um pilar central da política migratória: os 62 tribunais especializados em casos de estrangeiros em situação irregular, por si só bastante questionados.

Desde que a paralisação orçamentária começou, seus juízes só examinam casos "urgentes", aqueles de migrantes detidos. Todas as outras audiências foram suspensas e os oficiais de Justiça não entregam notificações.

Diante de um panorama nada encantador no Congresso, Trump ameaçou recorrer a um procedimento de "emergência nacional". "Se não chegarmos a um acordo, o mais provável é que eu faça o que disse que faria", afirmou na quinta-feira ao canal Fox News, à margem de uma visita à colônia McAllen, na fronteira com o México.

"Temos o direito absoluto de declarar uma emergência nacional, é um problema de segurança", argumentou o bilionário republicano.

Mas este mecanismo que concede ao presidente poderes extraordinários acabaria, previsivelmente, nos tribunais, uma situação que agravaria ainda mais a crise política.

A Casa Branca planeja desviar os fundos de ajuda de emergência para áreas devastadas por desastres naturais, como Porto Rico, para financiar a construção do muro fronteiriço, segundo publicações da mídia americana.

Uma paralisação prolongada do governo federal "teria um efeito considerável" na maior economia do mundo, advertiu o chefe do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell.

A rede mundial da AFP

200 escritórios pelo mundo cobrindo 151 países

Saiba mais
Saiba mais

Contato AFP

Você quer fazer um comentário? Escreva-nos...