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Atualidade

Incursão violenta de forças do governo pelo sudoeste da Nicarágua deixa cinco mortos

AFP / INTI OCON Manifestantes colocaram em 5 de julho de 2018 uma cruz improvisada no local manchado de sangue onde um jovem foi morto nos protestos contra o governo na cidade de León.

Uma incursão do batalhão de choque e de paramilitares por Diriamba e Jinotepe, no sudoeste da Nicarágua, deixou pelo menos cinco mortos, segundo um grupo de direitos humanos.

Vilma Núñez, presidenta do Centro Nicaraguense de Direitos Humanos (Cenidh), informou à AFP que pelo menos três civis morreram, enquanto a Polícia relatou dois mortos em suas fileiras, todos por disparos de armas de fogo.

Em um comunicado, a Polícia responsabilizou pela morte de seus efetivos "terroristas com armas de fogo", que teriam disparado quando os efetivos "restabeleciam a ordem" desbloqueando vias.

Grupos de homens à paisana com capuzes pretos e fortemente armados percorrem ruas destas localidades, segundo vídeos divulgados por moradores e defensores dos direitos humanos.

"A situação é grave. Há um ataque desmedido das forças do governo, que está resultando em derramamento de sangue, mais mortes e luto em nosso país. A repressão das forças conjuntas é desproporcional", declarou o secretário executivo da Associação Nicaraguense Pró-Direitos Humanos, Alvaro Leiva.

Segundo Vivian, as forças conjuntas pró-governo cercaram a basílica de San Sebastián de Diriamba, "para impedir que a mesma abra as portas para os feridos".

O secretário executivo da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), Pablo Abräo, que está em Manágua verificando violações dos direitos humanos, denunciou que "grupos armados pró-governo apoiados pela polícia entram nas cidades de forma maciça".

A CIDH advertiu que a situação é "grave" e pediu às autoridades que desmantelem "os aparatos repressivos pró-governamentais" que operam no país.

"A situação continua crítica, a situação é bastante grave à luz da violação dos direitos humanos, (e) requer uma atenção muito especial por parte da comunidade internacional", afirmou o secretário-executivo da CIDH, Pablo Abräo, ao canal 100% Notícias.

Abrão disse que é necessário que cesse "a repressão, muito especialmente que se possam desmantelar esses aparatos repressivos pró-governamentais que estão atuando" no país.

Bispos da Igreja Católica aconselharam os moradores a se proteger e pediram o fim da violência, que já deixou mais de 230 mortos em quase três meses de protestos contra Ortega.

A Igreja católica anunciou neste domingo que avalia "seriamente" se continuará mediando um diálogo entre o governo e a oposição, na medida em que forças simpáticas ao presidente Daniel Ortega continuam "atacando" a população.

"A Conferência Episcopal vai avaliar seriamente a continuidade do diálogo (...) Não podemos continuar nos sentando com os representantes de um governo que mente, que não aceita sua responsabilidade e continua atacando e massacrando a população", disse o bispo auxiliar de Manágua, monsenhor Silvio Báez.

Em sua homilia dominical, Báez se referiu à forte incursão de grupos antimotins e paramilitares em Diriamba e Jinotepe, no sudoeste de Nicarágua, que deixa neste domingo pelo menos três mortos e dezenas de feridos e detidos, que se somam aos mais de 230 mortos em quase três meses de protestos.

Os protestos começaram em 18 de abril, contra a reforma da previdência social, mas, ante a forte repressão da polícia com grupos armados ilegais, ampliaram-se e passaram a exigir a saída de Ortega, 72, que acusam de instaurar com sua mulher, Rosario Murillo, uma ditadura marcada por corrupção e nepotismo.

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